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Antes de começarmos a análise do tema da redação do ENEM 2001, gostaríamos de avisá-los que, como anunciamos, o Guia do Participante do ENEM 2013 será divulgado em breve pelo Ministério da Educação e assim que isto for feito, o abordaremos nesta coluna, fazendo um pequeno intervalo na nossa série de análises de temas das provas de produção textual do ENEM. Ler este Guia é de fundamental importância para entender a grade de correção e como ela é aplicada aos textos, já que o documento traz exemplos de redações nota 1000. Cada exame e vestibular possui um perfil e é essencial captar este perfil para, justamente, atendê-lo.
Outra questão que queremos abordar antes da análise de hoje é que, na semana passada, falamos rapidamente sobre como as referências dos textos usados na coletânea textual podem ajudar no desenvolvimento da redação. Ao lermos os textos verbais e não verbais integrantes das coletâneas textuais, de qualquer prova de produção escrita, de qualquer exame, devemos nos atentar às suas referências, isto é, a seus autores, meios e datas de publicação, pois estes dados podem fornecer alguma pista, dar alguma dica ou algum sinal que auxilie na escrita do texto. Não custa nada ler as referências; quem sabe, ao lê-las, não vem um insight, uma intuição sobre algo?
Hoje, analisaremos a prova de redação do ENEM 2001 que foi assim:
Conter a destruição das florestas se tornou uma prioridade mundial, e não apenas um problema brasileiro. (…) Restam hoje, em todo o planeta, apenas 22% da cobertura florestal original. A Europa Ocidental perdeu 99,7%
de suas florestas primárias; a Ásia, 94%; a África, 92%; a Oceania, 78%; a América do Norte, 66%; e a América do Sul, 54%. Cerca de 45% das florestas tropicais, que cobriam originalmente 14 milhões de km quadrados (1,4 bilhão de hectares), desapareceram nas últimas décadas. No caso da Amazônia Brasileira, o desmatamento da região, que até 1970 era de apenas 1%, saltou para quase 15% em 1999. Uma área do tamanho da França desmatada em apenas 30 anos. Chega.
Paulo Adário, Coordenador da Campanha da Amazônia do Greenpeace.
(Caulos, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1978)
ttp://greenpeace.terra.com.br
Embora os países do Hemisfério Norte possuam apenas um quinto da população do planeta, eles detêm quatro quintos dos rendimentos mundiais e consomem 70% da energia, 75% dos metais e 85% da produção de madeira mundial. (…)
Conta-se que Mahatma Gandhi, ao ser perguntado se, depois da independência, a Índia perseguiria o estilo de vida britânico, teria respondido: “(…) a Grã-Bretanha precisou de metade dos recursos do planeta para alcançar sua prosperidade; quantos planetas não seriam necessários para que um país como a Índia alcançasse o mesmo patamar?”
A sabedoria de Gandhi indicava que os modelos de desenvolvimento precisam mudar.
O planeta é um problema pessoal - Desenvolvimento sustentável. www.wwf.org.br
De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado.
O que fere a terra, fere também os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.
Trecho de uma das várias versões de carta atribuída ao chefe Seattle, da trib Suquamish. A carta teria sido endereçada ao presidente norte-americano, Franklin Pierce, em 1854, a propósito de uma oferta de compra do território da tribo feita pelo governo dos Estados Unidos.
PINSKY, Jaime e outros (Org.). História da América através de textos. 3ª ed.São
Paulo: Contexto, 1991.
Estou indignado com a frase do presidente dos Estados Unidos, George Bush.
“Somos os maiores poluidores do mundo, mas se for preciso poluiremos mais para evitar uma recessão na economia americana”.
R. K., Ourinhos, SP. (Carta enviada à seção Correio da Revista
Galileu. Ano 10, junho de 2001).
Com base na leitura dos quadrinhos e dos textos, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema:Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?
Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender o seu ponto de vista, elaborando propostas para a solução do problema discutido em seu texto. Suas propostas devem demonstrar respeito aos direitos humanos.
Observações:
• Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da língua.
• O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narrativa.
• O texto deverá ter no mínimo 15 (quinze) linhas escritas.
• A redação deverá ser apresentada a tinta e desenvolvida na folha própria.
• O rascunho poderá ser feito na última página deste Caderno.
Novamente, o ENEM trouxe como tema de sua prova de produção escrita um assunto que, infelizmente, continua atual e que diz respeito a todos nós: desenvolvimento x preservação ambiental. A banca elaboradora também faz um questionamento ao candidato: como conciliar os interesses em conflitos? Estes interesses, inclusive, estão postos na coletânea textual através dos textos do coordenador do Greenpeace, da organização WWF e do leitor da revistaGalileu que abordam, com dados estarrecedores, o quanto a economia, a industralização e o desenvolvimento de um modo geral, dos países desenvolvidos (Estados Unidos e Inglaterra, os mencionados explicitamente), afetam o meio ambiente de todo o planeta. São dados que comprovam o que todo mundo já sabe (e já sabia na época), o que jornais, revistas e materiais didáticos trazem, há anos, como informação sobre isso.
Assim, não é difícil, neste tema, usar conteúdos de várias áreas do conhecimento para desenvolver o texto e para cumprir a 2ª competência da grade de correção do ENEM. Por exemplo, no Brasil, florestas foram e são devastadas para dar lugar à plantações de soja, por exemplo, e a pastos, já que temos uma economia muito pautada na agricultura e na pecuária por razões climáticas, geográficas e históricas. A especulação imobiliária e turística sempre existiu, o que ocasionou e ocasiona, por vezes, na destruição de áreas verdes para a construção de condomínios fechados, hotéis etc.
Todos os textos da coletânea, mais visivelmente a história em quadrinhos de Caulos, mostram uma certa tristeza ao abordarem este assunto. Um país cantado por Gonçalves Dias (autor da primeira fase do romantismo brasileiro que, aliás, enaltecia a imagem do Brasil e buscava uma identidade e um herói nacional, também poderia ser usado no desenvolvimento do texto) pelas suas belezas naturais como o céu cheio de estrelas, as várzeas, as flores, os sabiás e as palmeiras vê sua situação ambiental ser retratada com pesar através da alusão direta do poema Canção do Exílio, de 1843. A carta do leitor da revista Galileu exprime, explicitamente, sua indignação com a declaração do ex-presidente norte americano George W. Bush, além do desabafo “Chega” do coordenador do Greenpeace.
Tomar este tom indignado, revoltado e de protesto pode ser um bom caminho, desde que de forma controlada, para desenvolver esta redação; já escrever totalmente o contrário e o impensado, concordar com o Bush, por exemplo, quando a coletânea vai pelo outro lado, com certeza é perigoso devido aos argumentos disponíveis. Obviamente o candidato pode discordar do viés temático da prova, principalmente quando um questionamento é posto já no tema, mas isso é mais fácil quando a proposta dá margem para essa discordância, o que não é o caso do ENEM 2001.
A proposta de intervenção social (quinta competência) tem de responder a este questionamento posto no enunciado do tema, um questionamento que busca a conciliação entre o interesses que conflitam quando o assunto é preservação ambiental: economia, política, alimentação, industrialização, desmatamento etc versus sustentabilidade, reflorestamento, preservação de florestas e de recursos naturais etc. Como alcançamos o desenvolvimento com o mínimo impacto ambiental? Aliás, que desenvolvimento buscamos?
Quanto mais elaborada, prática e aplicável for esta proposta de intervenção social melhor, pois maior será a pontuação dada, sempre respeitando os direitos humanos, já que todo tema de redação do ENEM possui um viés social. Esta proposta de solução, como todo o tema, pode ser mais abrangente, pois a coletânea trata do problema mundialmente e não apenas em relação à realidade brasileira, isto é, a proposta de intervenção social deveria abarcar os principais causadores da devastação ambiental: os países desenvolvidos e mais industrializados, juntamente com os emergente, com os que têm sua economia pautada na agricultura e na pecuária.
Na próxima semana, abordaremos a redação do ENEM 2002: O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil necessita? A prova pode ser acessada através do linkhttp://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2002/2002_amarela.pdf.
*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em Letras/Português pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP – Atua na área de Educação exercendo funções relativas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação na 1ª fase e de Língua Portuguesa na 2ª fase do vestibular 2013 da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Participou de avaliações e produções de diversos materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação.
Análise de Tema de Redação – ENEM 2001
Enfim, julho! Um dos meses do ano mais aguardados pelos estudantes devido as férias escolares. O descanso mental, psicológico e físico é essencial para qualquer pessoa, por isso, aproveitem e façam atividades que lhes tragam prazer, distração, alegria: vão ao cinema e ao teatro, encontrem os amigos e os familiares e vão aos lugares que vocês gostam, mas (sempre tem um “mas”) não deixem, não parem de estudar.
As férias são os momentos planejados para o descanso e o lazer, mas quem vai prestar ENEM e outros exames não pode parar de vez com os estudos. Equilibrem a diversão com as atividades de estudo e pesquisa, aproveitem para revisar alguns conteúdos, para participar de grupos de estudo com colegas da escola, para colocar as lições, atividades, exercícios e redações em dia e, falando em redação, não deixem de escrever a redação semanal, pesquisando propostas em provas passadas, em livros didáticos e apostilas do Ensino Médio dentre outras fontes.
Esta pode e deve ser a oportunidade de fazer mais simulações de prova, em casa mesmo, controlando o tempo, resolvendo as questões e escrevendo a redação em um ambiente calmo, tranquilo, bem iluminado e é nestas simulações, falando mais especificamente em relação a produção textual, que vocês podem verificar, por meio de testes, como vocês se saem ao realizar uma prova de redação e qual é o método, o modo que mais adequa-se a vocês.
Por exemplo, na publicação passada (clique aqui para ler o artigo completo), abordamos a questão de fazer a redação antes ou depois das questões de múltipla escolha e foi dito que não há uma receita pronta e sim que cada um possui o seu jeito particular, mas se há dúvidas, deve-se testar nas provas da escola e em casa e avaliar, juntamente com o seu professor, em que modo vocês se saem melhor, possuem um maior rendimento. E o mesmo vale para o rascunho, o nosso tema de hoje.
O ENEM e os demais vestibulares e exames requerem, intrinsicamente, textos bem planejados, articulados e este planejamento faz parte do processo de escrita (aliás, escrita de qualquer texto, para qualquer finalidade, desde um comentário em um site até um artigo científico, por exemplo) e pode ser realizado por meio da produção de um rascunho, antes de escrever a dissertação-argumentativa (no caso do ENEM) na folha definitiva a caneta. Digamos “pode”, pois há quem não costume e/ou não goste de rascunhar; é um direito de cada estudante, de cada candidato, mas este deve estar 100% seguro de si e de seu texto e planejá-lo, ao invés de no papel, na cabeça, mentalmente.
Para quem sente-se melhor rascunhando, é bom reservar um tempo adequado para tanto e é aí que muitos alunos se perdem e não sabem como proceder. Como afirmamos que cada um possui um estilo de escrita individual, já que cada um é o autor de seu texto, também pode-se testar o rascunho. Há quem tenha o hábito de escrever o texto todo, mudando, mexendo, refletindo e, ao ficar satisfeito, passa a limpo na folha de prova; há quem faça isso, a lápis, já na folha definitiva e quando pensa estar bom, passa a caneta por cima (só não se esqueçam de reservar um tempinho para passar a borracha, pois corrigir textos que foram primeiramente escrito a lápis e depois a caneta foi passada por cima é difícil visualmente; facilitem a vida do corretor!) e há, ainda, aqueles que, no rascunho, escrevem apenas esquemas e não o texto todo, organizando o que abordará em cada parágrafo.
Aqui, abriremos um parênteses: os organizadores do ENEM não permitem que os candidatos entrem nas salas de prova com lápis, lapiseiras e borrachas, apenas com canetas transparentes e, assim, nem se o candidato quiser poderá, neste caso, escrever a lápis e depois passar a caneta por cima. Isso pode ser feito em exames e vestibulares que permitam a entrada do candidato com lápis, lapiseira e borracha, no ENEM, não.
Voltando ao nosso assunto, seja como for o seu modo de rascunhar, o planejamento, aliado à reflexão, é fundamental. Rascunhos rabiscados, apagados demonstram que o aluno pensou, refletiu e repensou sobre o que escreveu; não que quem não rascunhe não faça os mesmos processos mentalmente, como já dissemos, cada um possui seu modo de comportar-se numa ocasião de prova, cada um reage de um modo e por isso, até para se conhecer, que simulados são importantes (se sua escola ou cursinho promove simulados, participe!).
O ENEM requer um texto bem paragrafado, ou seja, cada parágrafo deve abordar um tópico frasal e no rascunho isso pode e deve ser pensado e planejado, refletindo e organizando acerca da continuidade do texto: de onde você parte e para onde quer chegar. Isto deve estar claro e nítido para o leitor.
Não pode-se esquecer, também, do limite de linhas imposto pela banca elaboradora: vocês devem escrever dentro deste limite e de modo limpo e legível. No rascunho, abreviações e desrespeito às margens são permitidos, mas na folha definitiva a redação deve ser transcrita a caneta, de modo limpo e respeitando as margens desenhadas. Esta é a primeira impressão que o leitor terá do seu texto e também demontra cuidado e organização (atentem-se á separação silábica!) de sua parte.
No momento do rascunho, também é o momento de se pensar a respeito do título da sua dissertação-argumentativa: já foi publicado, em setembro de 2012, no documento oficial do MEC sobre a redação do ENEM, que o título, neste exame, é opcional, mas acreditamos que ele é fundamental na estrutura de uma dissertação-argumentativa.
Por esta semana é isso, pessoal!
Aproveitem o mês de julho para descansarem, mas não deixem de estudar.
Até a próxima semana!
Redação ENEM: Rascunho
Todo vestibular, exame e concurso são cansativos física, psico e emocionalmente, pois os candidatos, normalmente, se preparam muito e com muita antecedência, lidam com a pressão que eles mesmos produzem e com a das outras pessoas ao seu redor, além da ansiedade e do nervosismo. E com o ENEM não é diferente. Há quem opine que ele é um dos exames mais cansativos dentre os tradicionais, pois ele dura um fim de semana inteiro, possui questões com enunciados longos e uma proposta de redação com uma coletânea de de, geralmente, dois a três textos verbais e não verbais na qual o mais indicado é se fazer um rascunho, depois passar a limpo o texto na folha definitiva e, ainda, preencher o gabarito com as respostas das questões, aquela pintura de bolinhas e quadradinhos que até dão cãibras nos dedos das mãos. Ufa!
textos motivadores
Sim, é muita coisa para se fazer e em um curto espaço do tempo o qual, aliás, deve ser muito bem administrado e este treinamento deve começar bem antes, na rotina de estudos, como já falamos anteriormente. Aí, muitos alunos perguntam aos professores: faço a redação antes ou depois de resolver as questões? E a resposta mais tranquila que podemos dar é: cada um tem o melhor modo de fazer isso.
Há pessoas que preferem fazer a redação depois das questões a fim de, quem sabe, encontrar algo nelas que ajude, inspire e/ou motive a escrita do texto; claro que estes candidatos leem a proposta de redação antes de começar a ler as questões para já saber o tema e para matar a curiosidade. Porém, há participantes que preferem escrever a redação antes de fazer as questões já para se livrar do tema da prova de produção textual.
O que podemos afirmar é que o importante, seja antes ou depois das questões, é dedicar um tempo suficiente para a produção da redação: um tempo adequado para se fazer o planejamento do texto, pensando em sua estrutura e organização e passá-lo a limpo na folha definitiva e a caneta, já que redações escritas a lápis, normalmente, são consideradas textos em branco.
Na sua rotina de estudos, faça simulações de dia de prova, isto é, selecione uma prova passada do ENEM, por exemplo, e a faça no tempo determinado, como se fosse de verdade, e teste se você se sai melhor escrevendo a redação antes ou depois de fazer as questões. O mesmo pode ser feito na sua escola, caso o seu professor de Língua Portuguesa aplique provas que contenham produção textual e questões; há colégios que aplicam suas avaliações em semanas de prova, isto é, uma determinada semana é dedicada às provas, cada dia para uma disciplina e, neste caso, se as avaliações de redação vierem junto com questões, não necessariamente de Língua Portuguesa e Literatura, você pode testar: uma vez você faz a redação antes das questões e em uma outra oportunidade você faz depois e, posteriormente, avalia, juntamente com o seu professor, em qual método se sai melhor.
Tudo isso e tudo aquilo que estamos falando há 20 semanas é para lhe orientar e lhe ajudar, mesmo que de longe, a ter uma boa nota na redação do ENEM, mas sobretudo a escrever melhor, já que vivemos em uma sociedade letrada que exige de nós capacidades de leitura e escrita essenciais, importantes e complexas para nos comunicarmos, nos expressarmos e para sermos cidadãos atuantes, ativos e proativos. Porém, precisamos ressaltar que a cada prova do ENEM, apesar da receita de macarrão instantâneo e do hino de um time de futebol, está cada vez mais difícil tirar notas altas na prova da redação do ENEM de acordo com o MEC:
Gráfico retirado de http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/redacao-enem-vestibular/2013/02/15/veja-dicas-dos-estudantes-que-tiraram-mais-de-900-pontos-na-redacao-do-enem-2012-e-prepare-se/
Segundo este gráfico, apenas 1,1% dos 4,1 milhões de participantes do ENEM obtiveram notas a partir dos 900 pontos. A grande maioria obteve notas medianas, razoáveis que, dependendo do curso almejado no Sisu e no ProUni, não são de redações competitivas.
Objetivem as notas acima da média, sempre! Não se contentem com a média e estudem! Vão à luta!
Redação Enem: Fazer antes ou depois das questões?
Para o Exame Nacional do Ensino Médio, os chamados textos motivadores fazem, juntamente com o tema posto, o recorte temático proposto pela banca elaboradora e servem para, como o próprio nome diz, motivar o participante a pensar, a refletir e a se inspirar em relação ao tema e, assim, não deve ficar preso ao que é dito ali. O Guia do Participante do ENEM 2012 inclusive afirma que o candidato não deve copiar trechos dos textos motivadores, o que acarreta em desconto na nota e na contagem das linhas válidas e escritas.
Obviamente, dependendo do tema, é impossível não recorrer aos textos motivadores. No último ENEM, por exemplo, no qual o tema foi uma grande surpresa para a maioria dos participantes (Os Movimentos Imigratórios no Brasil no Século XIX), muitos deles, justamente por não esperarem este tema e, consequentemente, não saberem direito o que escrever, por ficarem perdidos no momento da prova, basearam completamente a sua redação nos textos motivadores que, por sua vez, um deles, fazia menção à denúncia de trabalho escravo de colombianos em uma confecção que fornecia roupas para uma grande rede de lojas e o outro abordava diretamente a vinda de haitianos para o Brasil. Isso, segundo o Guia do Participante do ENEM 2012, tem como consequência um decréscimo na nota final que, juntamente com o elemento surpresa, fez as notas despencarem do ENEM 2011 para o 2012 (muitas pessoas reclamaram sobre isso na mídia, que no ENEM 2011 tiveram notas maiores do que no ENEM 2012, mas não pensaram e não refletiram sobre o seu conhecimento acerca do tema).
Então quer dizer que não é permitido copiar, usar nada dos textos motivadores? Não podemos dizer, com certeza, que sim ou que não, já que não conhecemos os maiores detalhes da grade, pois como já falamos anteriormente, estes detalhes são explicados, apenas, aos professores que fazem o treinamento para corretores, mas podemos dar algumas orientações. Os textos motivadores devem ser lidos com muita atenção e, neste momento, palavras-chaves podem ser destacadas e usadas na redação, além do estabelecimento de relações entre todos eles ser fundamental, já que todos (de dois a três, geralmente) dizem respeito a um mesmo assunto (macro) e a um mesmo tema (micro). Já que o ENEM afirma que cópias não são recomendadas (não só ele, como demais exames), a paráfrase (reescrever algo do seu modo, com as suas palavras, sem copiar propriamente) torna-se em recurso importante.
No entanto, a maior orientação que podemos dar é: pense! Leia muito e com qualidade, faça a listinha de temas possíveis sobre a qual falamos em uma publicação anterior para que, no momento da prova, os textos motivadores realmente lhe motivem e lhe inspirem (leia nosso artigo 17 possíveis temas para a Redação do Enem 2013). A redação totalmente alicerçada no conjunto de textos da proposta de redação mostram que o seu autor pouco conhecia do tema dado e recorreu inteiramente aos textos de apoio para escrever.
Um outro aspecto relevante dos textos motivadores do ENEM é a presença de textos não verbais nas propostas de redação. Charges (do francês charge, significa ação vigorosa ou ataque contra alguém ou a alguma coisa através de um desenho caricatural, com ou sem legenda, publicado em jornais, revistas, internet etc), tirinhas (segmento de uma história em quadrinhos, normalmente com apenas três quadros), gráficos, infográficos, mapas e fotos são textos não verbais muito presentes não só no ENEM como em outras provas e a sua interpretação ajuda muito no momento de escrever e, neste sentido, no caso dos gráficos, infográficos e mapas, a matemática, a estatística, a geografia e a leitura de textos não verbais são essenciais, já que não é apenas o professor de Língua Portuguesa que deve trabalhar com leitura; todos os demais professores devem trabalhar, em suas respectivas áreas do conhecimento, as mais diversas leituras para os mais diversos fins e isso vale, também, para as questões de múltipla escolha.
Em relação às charges, elas abordam muito temas cotidianos e atuais e, assim, um bom leitor de charges está atento à realidade e à atualidade, isto é, ao o que está acontecendo ao seu redor, na sociedade em que vive e de uma maneira crítica e reflexiva, já que é isso que as charges propõem, além de tratarem os temas com muita ironia, sutilmente ou não. Muitos vestibulares e o próprio ENEM as usam nas questões de múltipla escolha e dissertativas; fazê-las e conferir as respostas pode revelar como você lida com as charges e com as tirinhas e é uma importante ferramente de estudo resolver provas passadas. (Clique aqui para conhecer nossas apostilas que trazem as ultimas 4 edições do Enem resolvidas e comentadas!!)
Até mais, pessoal!
Os Textos Motivadores na Redação do ENEM
De maneira análoga ao que acontece no Sistema de Seleção Unificada (SiSU), que seleciona alunos para as universidades públicas brasileiras através do desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o Sisutec também selecionará seus estudantes a partir da nota do Exame. A criação oficial do sistema deverá ser publicada em breve no Diário Oficial da União. Os interessados devem ficar atentos pois o Sisutec será aberto no início de agosto, dia 5.
Inicialmente, participarão do programa institutos federais de educação, ciência e tecnologia, instituições do Sistema S, escolas técnicas das redes estaduais e universidades. Segundo a presidenta, “o estudante, então, consulta esse cadastro, faz a inscrição, indicando a escola e o curso de sua preferência. Em seguida, é feita a seleção dos alunos, considerando a nota que receberam no [Exame Nacional do Ensino Médio] Enem. Isso significa que quem concluiu o ensino médio e não teve acesso a uma universidade vai agora ter a oportunidade de fazer um bom curso técnico”.
Ainda de acordo com Dilma, considerando apenas os cursos técnicos do Pronatec, os mesmos contabilizam um total de 1,250 milhão matrículas de jovens que estão tendo ou tiveram acesso a esse tipo de formação que “já foi muito valorizada no Brasil e ajuda a melhorar a qualidade do emprego”. A chefe de estado também ressaltou que, além dos cursos técnicos, que são voltados aos estudantes de ensino médio e têm duração média de um ano e meio, o Pronatec envolve cursos de qualificação profissional para os trabalhadores e para os cadastrados no Bolsa família (ambos com duração de dois a quarto meses).
Nota do Enem será utilizada para acesso a cursos técnicos
Nós, do infoEnem, sempre trazemos dicas e artigos para ajudar nossos leitores a conseguir uma nota alta na redação do Enem. Todas as quintas, por exemplo, a professora Camila escreve sobre redação. Clique aqui para ler suas publicações.
Entretanto, a importância de saber (e conseguir) produzir um texto claro e coeso não deve ser apenas uma meta para quem irá prestar o exame nos dias 26 e 27 de outubro. Afinal, durante toda a vida, você utilizará a linguagem escrita para se comunicar.
Assim sendo, sempre será bem vinda qualquer dica que, de fato, ajude a melhorar as suas produções textuais.
E por falar em escrever bem, a revista super interessante, deste mês, trouxe um artigo muito valioso destacando seis (6) dicas de George Orwell sobre o assunto. Destacamos logo abaixo tais dicas. Vale a pena dar uma olhada.
Ah! Não sabe quem é George Orwell? Antes das recomendações, segue uma breve biografia da fera. Talvez conhecendo de quem tenha vindo as dicas, você perceba o quão ricas são!
George Orwell (Seu nome verdadeiro é Eric Arthur Blair), foi um escritor e jornalista inglês. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-humorada. Sempre se mostrou crítico frente as injustiças sociais e ao totalitarismo. Uma de suas características mais marcantes era a paixão pela clareza da escrita. Tanto que as dicas abaixo, dadas por ele, abrem o Manual de Estilo da Economist, considerada por muitos a revista mais bem-escrita do mundo.
Acreditando que deixamos clara a importância dessas dicas, vamos a elas.
1 – Em circunstância alguma utilize um vocábulo extenso onde um reduzido soluciona. Ou seja, não use uma palavra longa se uma curta resolve o problema.
2 – Se, por algum acaso, for possível cortar, eliminar, extirpar uma palavra, não se dê de rogado: elimine-a de uma vez por todas. Em outras palavras, desapareça com o desnecessário.
3 – A voz passiva não deve ser utilizada quando a voz ativa puder ser escrita. Nada de “aquela xícara será comprada por ele.” Usando a voz ativa, fica bem mais clara a sentença: “Ele comprará aquela xícara.”
4 – Nunca use uma metáfora ou outra figura de linguagem que você está acostumado a ver cotidianamente. Afinal, elas já perderam a força e possivelmente a graça.
5 – Não empregue um calão tecnicista quando tiver o arbítrio de elocubrar uma elocução de uso anfêmero. Ou seja, não use um jargão quando você puder imaginar uma palavra do cotidiano. E por último:
6 – Quebre qualquer uma dessas regras antes de escrever besteira.
6 Dicas (de George Orwell !) Sobre Como Escrever Bem
O caminho para uma redação perfeita é árduo. Diversos pontos devem ser observados, e manter a calma para atender a todas as exigências dos corretores é difícil. Cobra-se coesão, embasamento, articulação. No meio disso tudo, o aluno ainda esbarra nas peculiaridades da língua culta e formal. "É uma outra língua, que não a do menino", aponta Francisco Platão, professor do Sistema de Ensino Anglo. Erros de gramática e ortografia se repetem e afastam os alunos da nota máxima. Contra tudo isso, recomenda-se calma. "Entende-se que o momento da prova é uma fase de muito nervosismo, mas são necessárias concentração e muita prática para o sucesso", ensina a professora Talita Aguiar, do Curso Progressão Autêntico.
Confira os principais erros ortográficos e gramaticais na opinião de Talita, Platão, Vivian e os professores Ana Paula Ramos, do Sistema Elite de Ensino, e Ester Chapiro, psicopedagoga da Central de Professores - Soluções Pedagógicas.
Haver
Ana Paula Ramos diz que muitos erros estão relacionados com o verbo “haver”: "Dificilmente os candidatos acertam o emprego desse verbo, já que sabem que os verbos concordam com o núcleo do sujeito de uma frase". Contudo, ressalta a professora, na língua portuguesa, sempre existem exceções. Por isso, ela dá uma dica:
Ana Paula Ramos diz que muitos erros estão relacionados com o verbo “haver”: "Dificilmente os candidatos acertam o emprego desse verbo, já que sabem que os verbos concordam com o núcleo do sujeito de uma frase". Contudo, ressalta a professora, na língua portuguesa, sempre existem exceções. Por isso, ela dá uma dica:
| ENEM 2013 | DATAS |
| Início das inscrições | 13 de maio |
| Fim das inscrições | 27 de maio |
| Pagamento da taxa de R$ 35 | até 29 de maio |
| Primeiro dia de provas | 26 de outubro, das 13h às 17h30 |
| Segundo dia de provas | 27 de outubro, das 13h às 18h30 |
| Gabaritos | Até o dia 30 de outubro |
"Na maioria dos casos em que o verbo haver é empregado, ele não tem sujeito, ele é sujeito inexistente. Portanto não há com quem esse verbo concordar. Se não há com quem concordar, ele ficará no singular, independentemente do seu tempo e modo verbal. Que casos são esses? Quando o verbo haver indicar tempo transcorrido", explica, citando como exemplos a frase "há duas semanas, vi-o caminhando na rua" e o caso do verbo empregado no sentido de existir, como em "havia 20 alunos naquela sala".
Onde
É um erro comum usar “onde” para se referir a não-lugares, aponta Ana Paula. “Os candidatos costumam jogar o pronome relativo onde em tudo o que é lugar. Porém, cuidado! Onde só retoma lugar", diz a professora. Caso o aluno queira retomar um nome que não é um lugar concreto, o correto é usar "em que", "no qual", "nos quais", "na qual" ou "nas quais".
É um erro comum usar “onde” para se referir a não-lugares, aponta Ana Paula. “Os candidatos costumam jogar o pronome relativo onde em tudo o que é lugar. Porém, cuidado! Onde só retoma lugar", diz a professora. Caso o aluno queira retomar um nome que não é um lugar concreto, o correto é usar "em que", "no qual", "nos quais", "na qual" ou "nas quais".
Vivian também comenta que é comum o uso incorreto do pronome de lugar "onde". Ela dá um exemplo do erro na frase "a amizade é algo presente na vida de todos, onde muitos se esquecem disso". No caso, o "onde" não se refere a um lugar, portanto, não deve ser usado.
Pronomes demonstrativos
Segundo os professores, é recorrente a confusão entre pronomes demonstrativos como "este", "esse" e "aquele". Ana Paula ensina: “Essas são formas usadas para retomar ou anunciar nomes que utilizamos ou utilizaremos. Servem para não ficarmos repetindo sempre a mesma palavra".
Segundo os professores, é recorrente a confusão entre pronomes demonstrativos como "este", "esse" e "aquele". Ana Paula ensina: “Essas são formas usadas para retomar ou anunciar nomes que utilizamos ou utilizaremos. Servem para não ficarmos repetindo sempre a mesma palavra".
Entenda: "este", "esta" e "isto" são usados para anunciar, como, por exemplo, na frase "o maior problema do continente africano é este: a fome". "Esse", "essa" e "isso" servem para retomar algo recentemente dito. Exemplo: "O maior problema do continente africano é a fome. Essa se apresenta também em países asiáticos". "Aquele", "aquela" e "aquilo" usa-se para retomar um nome dito antes do último nome que aparece: "Gosto de goiabada e queijo. Aquela porque é doce."
Quando houver três elementos, diz a professora, o correto é: "Tenho três irmãos: Antônio, Arnaldo e Amadeu. Aquele é arquiteto, esse é advogado e este aeronauta". Vivian também dá exemplos do mau uso desses pronomes: No texto é necessário conhecer as próprias limitações. 'Isto' deve ser feito aos poucos, o correto seria 'isso', por fazer referência a uma ideia anteriormente apresentada.
Concordância
Ana Paula explica que o candidato costuma fazer a concordância do verbo com a palavra que vem imediatamente antes dele, como, por exemplo, "a participação dos manifestantes foram muito importantes" ou "as roupas da Joana é muito bonita". A dica para fugir desse erro é, segundo a professora, lembrar que o verbo concorda com o núcleo do sujeito. “Nas frases anteriores, 'participação' é o núcleo do sujeito da primeira frase, por isso, o verbo fica no singular. Na segunda frase, 'roupas' é o núcleo do sujeito, então o verbo fica no plural”.
Concordância
Ana Paula explica que o candidato costuma fazer a concordância do verbo com a palavra que vem imediatamente antes dele, como, por exemplo, "a participação dos manifestantes foram muito importantes" ou "as roupas da Joana é muito bonita". A dica para fugir desse erro é, segundo a professora, lembrar que o verbo concorda com o núcleo do sujeito. “Nas frases anteriores, 'participação' é o núcleo do sujeito da primeira frase, por isso, o verbo fica no singular. Na segunda frase, 'roupas' é o núcleo do sujeito, então o verbo fica no plural”.
Vivian destaca outro erro de concordância comum: "'Fazem' dois anos que ninguém resolve o problema". Os verbos "fazer" e "haver", quando indicam tempo cronológico, não têm plural. O correto seria: “Faz dois anos que ninguém resolve o problema”.
Pleonasmo
O conselho é ter cuidado com textos cheios de palavras repetidas e ideias que chegam a um mesmo ponto: "Eles não são apreciados pelos corretores", aponta Talita Aguiar. Segundo ela, quanto mais repetidas forem as ideias, mais claro fica que o candidato não tem conhecimento suficiente para escrever um bom texto. "Diversifique seus argumentos. Uma ótima dica para isso é a constante leitura", aconselha.
O conselho é ter cuidado com textos cheios de palavras repetidas e ideias que chegam a um mesmo ponto: "Eles não são apreciados pelos corretores", aponta Talita Aguiar. Segundo ela, quanto mais repetidas forem as ideias, mais claro fica que o candidato não tem conhecimento suficiente para escrever um bom texto. "Diversifique seus argumentos. Uma ótima dica para isso é a constante leitura", aconselha.
Vivian traz outro exemplo de redundância: "Aconteceu uma manifestação há dez dias atrás, então é necessário criar novas saídas para as discussões". A professora explica que ou se usa "há" ou "atrás", ressaltando que "criar" e "novas" também apresentam a mesma ideia.
Pontuação
Ana Paula ressalta, aqui, o uso da vírgula: "As pessoas costumam colocar vírgula quando lhes falta ar, quando precisam de uma pausa para respirar". Contudo, a vírgula é uma questão sintática e não de entoação. Ela relembra que é importante saber que a ordem padrão de uma frase na língua portuguesa é: sujeito + verbo + complementos (direto e/ou indireto) + adjunto adverbial.
Ana Paula ressalta, aqui, o uso da vírgula: "As pessoas costumam colocar vírgula quando lhes falta ar, quando precisam de uma pausa para respirar". Contudo, a vírgula é uma questão sintática e não de entoação. Ela relembra que é importante saber que a ordem padrão de uma frase na língua portuguesa é: sujeito + verbo + complementos (direto e/ou indireto) + adjunto adverbial.
A dica, nesse caso, é: "Se a frase estiver nessa ordem, não há motivos para virgular, só existe regra para o adjunto adverbial - se ele estiver em outra posição que não seja no final, será virgulado”. Ana Paula acrescenta que, além dessa, há outras regrinhas da vírgula que convêm serem estudadas. Ester Chapiro aconselha: "É preciso conhecer as regras de pontuação para garantir o sentido do texto. Não abuse das exclamações e evite o uso dos parênteses", diz.
Coloquialismo
Para Talita Aguiar, esse é um dos principais erros nas redações: "Muitos alunos fazem uso de gírias ou expressões que usam no dia a dia, mas essas não devem ser empregadas, visto que tornam o texto muito informal. Deve-se substituí-las pela norma culta".
Para Talita Aguiar, esse é um dos principais erros nas redações: "Muitos alunos fazem uso de gírias ou expressões que usam no dia a dia, mas essas não devem ser empregadas, visto que tornam o texto muito informal. Deve-se substituí-las pela norma culta".
Ester Chapiro chama a atenção dos candidatos para o fato de que a escrita não funciona exatamente do modo como falamos. "Cuidado ao tentar escrever de maneira simples para não exceder na simplicidade. A formalidade deve estar acima do coloquialismo, portanto nunca use gírias, palavras de baixo calão e abreviaturas". Chapiro acrescenta que palavras estrangeiras só deverão ser usadas quando não houver outra com o mesmo significado em português.
Uso da primeira pessoa do singular
O uso do "eu" nas provas é um erro constante. Ana Paula explica que, quando os candidatos se identificam com o tema, "eles parecem se empolgar e começam a escrever suas experiências relativas ao assunto". Ela indica aos alunos, nesses casos, lembrar que a redação do Enem é do gênero dissertativo-argumentativo, no qual predomina a impessoalidade, e é aceitável, no máximo, a primeira pessoa do plural, nós, que marca a coletividade, ou seja, que aquele pensamento é compartilhado por um grupo.
O uso do "eu" nas provas é um erro constante. Ana Paula explica que, quando os candidatos se identificam com o tema, "eles parecem se empolgar e começam a escrever suas experiências relativas ao assunto". Ela indica aos alunos, nesses casos, lembrar que a redação do Enem é do gênero dissertativo-argumentativo, no qual predomina a impessoalidade, e é aceitável, no máximo, a primeira pessoa do plural, nós, que marca a coletividade, ou seja, que aquele pensamento é compartilhado por um grupo.
"O texto não é um diário no qual se expõem relatos pessoais", complementa. Portanto, nada de usar expressões como "na minha opinião" ou "eu acho".
Clichês e generalizações
Clichês, frases prontas e provérbios devem ser evitados, porque mostram ao corretor falta de originalidade do candidato para expor suas opiniões. Para Talita Aguiar, também se deve evitar argumentos generalizadores:
Clichês, frases prontas e provérbios devem ser evitados, porque mostram ao corretor falta de originalidade do candidato para expor suas opiniões. Para Talita Aguiar, também se deve evitar argumentos generalizadores:
"Expressões como 'a população é alienada', 'o povo brasileiro não acredita' generalizam muito a ideia. Procure particularizar seus argumentos", ensina. Ester Chapiro ressalta a importância de demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação: "Esse domínio você adquire através da leitura de jornais, revistas e livros. O importante é conseguir, ao escrever, convencer o leitor de que tem conhecimentos fundamentados".
Semelhança sonora
É Vivian quem aponta erros comuns relacionados à semelhança sonora entre as expressões. Ela explica com exemplos: "isso não tem haver" no lugar da forma correta "isso não tem a ver"; "ele não sabe lhe dar com o problema" em vez de "ele não sabe lidar com o problema"; "as pessoas encontrão situações complicadas" no lugar de "as pessoas encontramsituações complicadas"; "a situação foi mau resolvida" e "ele é um mal elemento" no lugar de "a situação foi mal resolvida" e "ele é um mau elemento"; "o governo não investe como deveria em educação, mais cobra muitos impostos" em vez de "o governo não investe como deveria em educação, mas cobra muitos impostos". Esses equívocos se repetem, explica Vivian, em sua maioria, por semelhanças sonoras entre as palavras e expressões.
É Vivian quem aponta erros comuns relacionados à semelhança sonora entre as expressões. Ela explica com exemplos: "isso não tem haver" no lugar da forma correta "isso não tem a ver"; "ele não sabe lhe dar com o problema" em vez de "ele não sabe lidar com o problema"; "as pessoas encontrão situações complicadas" no lugar de "as pessoas encontramsituações complicadas"; "a situação foi mau resolvida" e "ele é um mal elemento" no lugar de "a situação foi mal resolvida" e "ele é um mau elemento"; "o governo não investe como deveria em educação, mais cobra muitos impostos" em vez de "o governo não investe como deveria em educação, mas cobra muitos impostos". Esses equívocos se repetem, explica Vivian, em sua maioria, por semelhanças sonoras entre as palavras e expressões.
Ela cita outros erros ortográficos recorrentes nas redações do Enem: "consiente", "siguinificar", "extresse", "supérfulos". As grafias corretas são: "consciente", "significar", "estresse", "supérfluos". Há também junção errada de elementos, como "encomum" (no lugar de "em comum"), "concerteza" (em vez de "com certeza"), "encontra partida" (quando o correto é "em contrapartida"), "apartir" (em vez de "a partir"), "porisso" (no lugar de "por isso").
Enem 2013: veja erros gramaticais comuns na redação e como evitá-los
Poeira assentando, é hora de esquentar os motores e voltar a rotina dos estudos. E para isso, nada melhor que uma lista de artigos e matérias para você aproveitar o final de semana com boas leituras. Segue abaixo as indicações de hoje:
- União Homoafetiva em debate no Brasil – Excelente texto publicado no site Brasil Escola, que discorre sobre a união homossexual, aprovada recentemente no Brasil pelo Supremo Tribunal Federal. Polêmico pela própria natureza, este assunto vem ganhando cada vez mais espaço na mídia, além de consistir numa tendência mundial. Leitura obrigatória para quem vai prestar Enem e vestibulares;
- Margaret Thatcher, uma dama ao lado direito da história – Você conhece a biografia da primeira e única mulher na história a chefiar o governo no Reino Unido? Vale a pena ler este artigo do Veja Abril e estar preparado caso a prova do Enem homenageie uma das líderes políticas mais influentes do século 20, no ano de sua morte;
- Papa Francisco: Os desafios do novo pontificado – A renúncia do Papa Bento XVI e escolha do Papa Francisco (Argentina) agitaram o noticiário e já estão entre os fatos mais marcantes de 2013. Para quem ainda está por fora do assunto já passou da hora de ler esta matéria do UOL Vestibular e se atualizar!
- Entenda a tensão envolvendo a Coreia do Norte – Publicada no site G1, esta matéria explica porque a Coreia do Norte anunciou estado de guerra e voltou a ameaçar a vizinha Coreia do Sul e os Estados Unidos de ataques com armas nucleares. Típico assunto cobrado em questões do Enem.
- Dicas para acordar cedo com disposição – Se você não anda “de bem” com seu sono saiba que ele pode ser um grande vilão no rendimento dos estudos e no momento da prova. Vala a pena conferir este artigo do Blog do Professor Evandro.
Lembre-se que, o hábito de ler, além de ser imprescindível na preparação para o Enem, faz parte do cotidiano de pessoas inteligentes e bem informadas.
Até a próxima!
Dicas de Leitura: Do Papa a União Homossexual
Para ajudá-los nesta revisão, revisaremos todas as quinze propostas de redação do ENEM, desde a de 1998 até a última, a de 2012. A partir de hoje e pelas próximas quintas-feiras, escreveremos sobre uma proposta de redação do ENEM abordando a coletânea de textos motivadores, o tema, o enunciado e refletindo sobre como cada uma poderia ser desenvolvida pelo candidato a fim de auxiliar o raciocínio acerca da escrita de uma prova de redação. Claro que poderão surgir divergências de pensamento entre o que escreveremos e o que algum leitor pense e os comentários podem ser um bom espaço para uma discussão sadia sobre o tema.
Portanto, começaremos com a proposta de redação de 1998 cujo tema era “Viver e Aprender” e a proposta aparecia já na primeira página da prova e deste modo:
O Que É O Que É
(…)
Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei que a vida devia ser bem melhor
E será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita
(…)
Luiz Gonzaga Jr. (Gonzaguinha)
(…)
Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei que a vida devia ser bem melhor
E será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita
(…)
Luiz Gonzaga Jr. (Gonzaguinha)
Redija um texto dissertativo, sobre o tema “Viver e Aprender”, no qual você exponha suas ideias de forma clara, coerente e em conformidade com a norma culta da língua, sem se remeter a nehuma expressão do texto motivador “O Que É O Que É”.
Dê um título à sua redação, que deverá ser apresentada a tinta e desenvolvida na folha anexa ao Cartão-Resposta. Você poderá utilizar a última página deste Caderno de Questões para rascunho.
Extraído de http://www.curso-objetivo.br/vestibular/resolucao_comentada/enem/1998/ENEM1998_prova.pdf em 17/07/2013.
Podemos ver que a primeira diferença está na coletânea textual que, nesta proposta, está bem menor do que as mais recentes, pois há apenas um texto, mas este já é chamado, pela banca elaboradora, de texto motivador, isto é, desde sua concepção, o ENEM objetiva que o candidato motive-se por meio da leitura do texto motivador, que este possa lhe trazer inspiração e ideias e não que o candidato apoie-se, apenas e exclusivamente, nele, como é ressaltado pela afirmação “sem se remeter a nenhuma expressão do texto motivador “O Que É O Que É”.
O ENEM, assim, demonstra que quer ler textos autorais, ou seja, textos não alicerçados no texto motivador, apenas inspirado e, portanto, o candidato deve ampliar seu pensamento no momento de escrever. O trecho da bela e clássica canção de Gonzaguinha pode levar a dois caminhos de reflexão: como o tema é “Viver e Aprender”, a música tem tudo a ver com ele, pois cita “a beleza de ser um eterno aprendiz”, sem vergonha de ser feliz, apesar que a vida deveria ser bem melhor e com esperança de ela melhorar. Assim, o texto motivador dá margem para suas abordagens:
- otimista, ressaltando a beleza da vida, a beleza de e do viver e a esperança de que tudo irá melhorar; que o eterno aprendiz vê nas dificuldades obstáculos a serem transpostos, superados, quebrados e que ensinam algo às pessoas como, por exemplo, a importância da persistência, da paciência e de se fazer tudo com felicidade, cantando;
- pessimista ou realista, ressaltando mais as dificuldades impostas pela vida, mas não como aprendizado, mas sim como limites difíceis de serem ultrapassados.
A segunda abordagem é mais complexa de ser realizada, pois a canção dá mais abertura para a primeira, mas ela também é possível. Portanto, o ENEM 1998 requeria do candidato uma reflexão sobre a relação entre a vida e os aprendizados que temos ao longo dela e como podemos lidar com isso, já que tudo é questão de ponto de vista e o ponto de vista do texto motivador é otimista. Como podemos tirar o melhor proveito das adversidades? Como podemos viver plenamente apesar de tantas dificuldades? Como ser esperançoso e otimista? são questões que podem nortear a escrita desta proposta de redação.
Partindo para o enunciado, este menciona um texto dissertativo no qual ideias devem ser expostas; não há menção a ordem do argumentar, apenas do dissertar, do expor, o que é diferente dos exames mais atuais, que pedem textos dissertativos-argumentativos, sobre os quais já escrevemos acerca das suas diferenças. Assim, nesta proposta de 1998, a opinião, a argumentação não era, de acordo com o enunciado, fator intrínseco, mas obviamente que o candidato poderia opinar em relação a seu ponto de vista e não apenas dissertar.
Já desde o seu início, e não poderia ser de outro modo, o ENEM requer um texto claro e coerente, como qualquer outro exame, com qualquer que seja a proposta de redação, e de acordo com a norma culta da Língua Portuguesa; aqui, sem nenhuma novidade.
Concluindo, podemos ver que a primeira proposta de redação do ENEM era bem simples, com um tema até que bem abrangente, diferente das atuais que trouxeram temas mais restritos; isso mostra uma evolução ao longo dos anos das propostas, o que é bastante interessante e importante de se ressaltar.
Na próxima semana, escreveremos sobre a redação do ENEM 1999: “Cidadania e Participação Social”. Bons estudos!
Análise de Tema de Redação – ENEM 1998
Olá, leitores do infoEnem!
A 4ª competência visa avaliar à estruturação interna e lógica da redação, isto é, entre as suas partes, entre os seus parágrafos e, portanto, o encadeamento de ideias e a organização da paragrafação, aqui, são os aspectos analisados pela banca examinadora do ENEM. Normalmente, dedica-se, para cada tópico frasal, um parágrafo e todos os parágrafos devem estar conectados através de relações de sentido como causa e consequência, exemplificações, fundamentações, comparações, finalizações (geralmente deixadas para o último, o da conclusão e, no caso do ENEM, o mesmo da proposta de intervenção social) etc.
Este encadeamento deve resultar em continuidade, o que nos leva à coesão, sobre a qual já dedicamos algumas publicações; para termos um texto coeso, faz-se necessária a adequada utilização de recursos linguísticos, o cerne desta competência. O Guia do Participante do ENEM 2012 nomeia de recursos linguísticos conectores e itens lexicais; mais especificamente, conjunções, advérbios e locuções adverbiais, pois são eles que estabelecem as inter-relações entre as frases, as orações e os parágrafos. O importante, aqui, é refletir sobre as relações de sentido que estes recursos estabelecem (adição, causa-consequência, explicação, finalidade, oposição, contrariedade, objeção etc.) para que eles expressem, realmente, o que você, autor, quer dizer.
O processo de referenciação também é muito importante nesta competência, já que uma redação bem escrita o faz através de pronomes, artigos e advérbios, o que torna o texto não repetitivo e com relações corretas de sinonímia (referente a sinônimos), antonímia (referente a antônimos), hiponímia (relação entre parte e todo), hiperonímia (relação entre um vocábulo de sentido genérico e outro de sentido específico), além do uso de expressões resumitivas, metafóricas e meta discursivas.
Os cinco níveis de desempenhos avaliados nesta competência são os seguintes:
200 pontos: recebe esta pontuação a redação que constrói uma articulação sem inadequações na utilização dos recursos coesivos. Basicamente, de acordo com o Guia do Participante ENEM 2012, para ter esta nota, o texto não pode conter nenhum desvio, já que o objetivo é demonstrar pleno domínio destes recursos.
160 pontos: recebe esta pontuação a redação que possuir poucos desvios dos recursos coesivos, ou seja, aquela que mostrar certo domínio desta competência.
120 pontos: recebe esta nota o participante que redigir uma redação com alguns desvios dos recursos coesivos e eventuais inadequações e, assim, demonstrar um domínio regular.
80 pontos: esta pontuação vai para o texto que conter muitos desvios e inadequações e, assim, demonstrar pouco domínio desta competência.
40 pontos: recebe esta nota a redação na qual o candidato articula de modo precário e/ou inadequado, com graves e frequentes desvios de coesão textual.
0 ponto: recebe 0 nesta competência o texto que apresenta informações totalmente desconexas.
Sabemos que os termos “poucos”, “alguns”, “muitos”, “frequentes” desvios são muito genéricos para se ter uma ideia real dos níveis de avaliação desta competência, mas reafirmamos que nos baseamos no que é publicado oficialmente sobre o ENEM e que estes termos são, sem dúvida, detalhados para os professores em treinamento para corretores. Por isso, o ideal é escrever buscando que a redação não possua nenhum desvio, em nenhuma competência.
Até a próxima!
A Redação no ENEM 2012 – Guia do Participante disponível em http://www.inep.gov.br/.
